domingo, 3 de julho de 2011

"Insensato Coração" repete "banana" de "Vale Tudo"

O assassinato de Odete Roitman (Beatriz Segall), a ser exibido nesta madrugada pelo canal pago Viva, tornou-se a marca maior de “Vale Tudo”, mas o melhor ainda está por vir.
Apresentada originalmente pela Globo ao longo do segundo semestre de 1988, e encerrada nos primeiros dias de janeiro do ano seguinte, a novela marcou época pela sua capacidade de tratar de temas que estavam na ordem do dia, em especial corrupção e desonestidade.
No último capítulo, que deve ir ao ar em duas semanas, o espectador poderá ver (ou rever) a cena que tornou-se exemplar da “mensagem” que os autores (Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères) queriam transmitir: a fuga de um dos vilões, o empresário trambiqueiro Marco Aurélio (Reginaldo Faria). Dentro de avião, já voando, ele olha a paisagem pela janelinha e dá uma “banana” para o país.
Escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração” desde o primeiro capítulo mostrou sua vontade de homenagear e dialogar com “Vale Tudo”.
Algumas semelhanças mais óbvias foram logo notadas: o nome quase idêntico da companhia aérea (TCA, hoje CTA); a repetição de atores nos dois elencos (Natalia Timberg, Antonio Fagundes, Gloria Pires, Cassio Gabus Mendes); a trilha sonora (na primeira, “Brasil”, de Cazuza; nesta “Que País É Este?”, de Renato Russo).
Igualmente similares são os perfis de alguns personagens principais, em especial o par formado pelo filho arrivista inescrupuloso (Maria de Fátima, hoje Leonardo) e o pai de boa alma, tão ingênuo quanto determinado (Raquel, hoje Raul).

Em “Vale Tudo”, a vilã Odete Roitman comanda um grande grupo empresarial e tem como vice-presidente o ex-genro pilantra, Marco Aurélio. Em “Insensato Coração”, há também uma grande empresa, dirigida por Vitoria (Natalia Timberg), mas ela age dentro da lei. O vilão da trama agora é um banqueiro, Cortez (Herson Capri), que aplica dinheiro ilegalmente fora do país, manda matar os inimigos, além da própria mulher, e suborna autoridades “de Brasília”. No capítulo exibido na noite de terça-feira, Cortez precisou fugir do país para não ser preso pela Polícia Federal. Alugou um jatinho, levou a mulher, a filha e uma mala repleta de dólares. Quando o avião começou a rodar na pista, ele disse: “Só existe uma maneira de expressar minha opinião sobre essa gentalha”, e deu uma “banana”, imitando o Marco Aurélio de “Vale Tudo”.
Na sequência, porém, carros da PF posicionaram-se diante do jatinho, impedindo a sua decolagem. Cortez foi obrigado a descer e acabou preso. Ao tentar impedir que os policiais apreendessem a sua mala, ela acabou abrindo-se na pista do aeroporto, provocando uma “chuva” de dólares.
Sua mulher, Natalie (Deborah Secco), colocou notas dentro do vestido e seu advogado, Wagner (Eduardo Galvão), discretamente, levou um maço ao bolso do paletó. Foi uma cena de pastelão, ao som de “Que País é Este?”, destinada a transmitir a “mensagem” que, aparentemente, o Brasil mudou: ainda que não fiquem por muito tempo na cadeia, banqueiros já são presos.  Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Mauricio Stycer.

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