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Mesmice dos atuais programas de TV evidencia: já não se fazem mais jurados como antigamente


SAMIA MAZZUCCO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
IVAN FINOTTI
DE SÃO PAULO

"Feiticeira, feiticeira/ Feiticeira é essa mulher/ Que por ela gamei."
Calouro que era esperto sabia. Escolhia para cantar o sucesso "Feiticeira", do potiguar Carlos Alexandre, por uma única razão: era a música preferida de Aracy de Almeida nos anos 80. E, por isso, o calouro conseguia cantar até o fim da canção.
Pedro de Lara tinha outra idiossincrasia. Como um esquizofrênico, ele alternava dois papéis no balcão dos jurados do "Show de Calouros". Sua personalidade principal era a mais temida pelos cantores de chuveiro.
Com seus cachos eriçados e cara de mau, parecia um demônio gongando os calouros antes mesmo que terminassem a primeira estrofe.
Mas, às vezes, Pedro virava Dr. Jekill e, prendendo os cabelos num rabo de cavalo, colocava três maçãs em sua mesa e passava a tarde de domingo sorrindo, cheirando as frutas e dando nota dez para todo mundo.
Era um tempo em que os jurados eram tão bons, mas tão bons que era deles que se ria, e não de quem se apresentava no palco, como costuma acontecer hoje.
É o que se vê, por exemplo, no programa "Ídolos" (Record), onde discussões técnicas entre os jurados Marco Camargo, Luiza Possi e Rick Bonadio substituem a esculhambação do passado. A graça fica por conta do apresentador Rodrigo Faro.
O mesmo acontece no quadro "Dança dos Famosos", no "Domingão do Faustão" (Globo), cujos jurados se levam a sério demais.
Outro programa atual com jurados é o de Raul Gil, no SBT. Esse, sim, ainda guarda semelhanças com a divertida tosqueira do passado. Como a jurada Marly Marley, que não tem papas na língua ao bater boca com o apresentador. "Não estou aqui para julgar o auditório. Você pediu minha opinião, eu dei", diz.

BOLÃO
Daquele exército de jurados clássicos -que frequentavam os programas de SS, Chacrinha, Bolinha e outros-, alguns morreram, como Aracy de Almeida (1988), Pedro de Lara (2007) e, há duas semanas, Wilza Carla.
Outros lembraram, a convite da Folha, alguns de seus melhores momentos no ar.
"Sinto falta das minhas brigas com o Silvio. Aquilo me motivava", diverte-se Sônia Lima, 51, que estampou uma capa da revista "Playboy" por seu excelente trabalho no corpo de jurados.
Seu marido, Wagner Montes, 56, hoje deputado estadual no Rio pelo PDT, conta que seu casamento gerou até apostas nos bastidores.
"Silvio achava que não era verdade que eu e a Sônia íamos nos casar. Fizeram um bolão de quanto tempo o casamento duraria. O máximo que deram foi seis meses. São 25 anos", conta, orgulhoso.
"Sabe como Silvio brinca no ar com a Patrícia [Abravanel]? Isso começou comigo", gaba-se Florina Fernandez, 46, a bailarina Flor.
Nelson Rubens, aquele que "aumenta, mas não inventa", resume o clima da época: "Era show de jurados, e não de calouros, porque a diversão éramos nós, o júri".
O jornalista Décio Piccinini conta que trabalhou com diversas turmas de jurados, que mudavam ao sabor do humor do patrão -como, aliás, funciona tudo no SBT até hoje."Fiquei 26 anos no SBT. Entrei e saí fazendo show de calouros", diz. "Pode me acusar, inclusive, de falta de imaginação." Longe disso, pois, como ensinou Silvio Santos, "mas o que vai, vai; mas o que vai, vem".

Créditos: Folha Online.

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