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Norma me livrou do domínio de Maria de Fátima, diz Glória Pires à Folha

A vingança veio a cavalo para Norma (Glória Pires), a mocinha cada vez mais vilã de "Insensato Coração".
Na novela das 21h da Globo, ela foi enganada, humilhada e até presa por um crime que não cometeu, mas, nesta semana, finalmente pôde dar o troco.
Confrontou seu algoz, Léo (Gabriel Braga Nunes), que manteve em cativeiro, obrigando-o a comer do chão, o que levou a novela a recordes de audiência: na quinta, marcou 44 pontos (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande São Paulo).
As maldades devem continuar. "Norma e Léo vão se alternar nos papéis de caça e caçador", diz Ricardo Linhares, um dos autores.
Norma está fazendo justiça com as próprias mãos, o que é condenável", resume Linhares. "Mas, hoje, a moral do público é elástica."
O convite para viver Norma bateu, literalmente, à porta de Glória. Ela estava morando em Paris, em 2008, quando o coautor Gilberto Braga foi até lá convidá-la.
"O papel foi criado para ela", diz Braga, sem conseguir citar outra pessoa que poderia fazer a personagem. "Felizmente não preciso."
Leia abaixo a íntegra da entrevista que a atriz deu, por telefone, à Folha.

Folha - Como surgiu o convite para viver a Norma?
Glória Pires - O Gilberto me chamou. Quando eu me mudei para Paris, em fevereiro de 2008, ele foi de férias e me ligou de lá. Ele me fez o convite, me perguntou se eu teria interesse, se eu gostaria, se ele poderia me reservar para a novela dele, que ele estava pensando em alguma coisa bem legal. Na época, eu ainda não sabia o que era, mas prontamente disse que lógico, estava afinzaça de fazer alguma coisa bacana. No ano seguinte, ele voltou já com a sinopse e com a ideia da Norma.
Você gostou de cara da personagem?
Eu já gostei pela proposta do Gilberto de fazer uma personagem que nos
livraria do domínio de Maria de Fátima. Eu fiquei animada com essa possibilidade.
A Maria de Fátima ainda é muito presente para você?
Ela é muito presente ainda para nós. ["Vale Tudo"] é uma novela que agora foi reprisada e que revelou o quanto ela foi especial. Eu tinha a impressão de que aquela novela tinha sido mesmo incrível, apesar de todos os problemas que aconteceram. Foi uma novela que foi aumentada em muito. Isso sempre gera uma barriga e a trama dá uma desandada. Mas, com tudo isso, a novela ficou intacta. E alguns personagens, como a Maria de Fátima e a Odete Roitman [Beatriz Segall], ainda ficaram muito fortes.
E teve confiança de que o Gilberto te daria uma personagem para apagar a Maria de Fátima da lembrança de todos?
Nós temos uma história. A gente fez alguns trabalhos bem legais. Eu fiquei instigada com o convite. Achei que seria uma coisa muito legal. E ela, embora tenha demorado muito para engrenar --eu fiquei cerca de 20 capítulos fora do ar--, depois que sai da prisão fez tudo em um ritmo muito acelerado. As coisas vêm acontecendo num ritmo mais parecido com o de uma minissérie do que com o de uma novela. Veio tudo em cima do laço e eu acho que o que está dando mais sabor é isso, que as coisas foram acontecendo em um ritmo alucinante.
Você assiste à reprise de "Vale Tudo" no canal pago Viva?
Não assisto. Assisti duas únicas vezes. O horário para mim é muito difícil. Nesse horário do almoço, eu raramente eu estou em casa. E, à noite, é muito tarde. Em geral ou estou na rua ou dormindo. Se eu estou em casa, raramente estou assistindo televisão.
E as suas filhas, que ainda não haviam nascido ou eram muito pequenas na época, o que têm achado?
A filha pequena [Ana] estuda. Na hora do almoço está na aula e na hora que passa à noite não está mais acordada. A filha adolescente [Antonia], na hora do almoço está também trabalhando e estudando. À noite, às vezes, ela assiste, mas não é sempre. Ela está curtindo a repercussão da novela, porque tem todas essas coisas de Facebook e de Twitter. Ela fica bem por dentro da repercussão da novela. A Cleo [Pires, também atriz] assistiu bastante no início, mas agora viajou. Ela era muito pequena quando a novela foi ao ar. Agora, tendo se tornado atriz, ficou muito impressionada com a qualidade das cenas, do texto, da interpretação das pessoas. Achou diferente do que se faz hoje em dia e achou muito moderno.
Consegue ver semelhanças entre a Maria de Fátima e a Norma?
Elas têm semelhança nas armações. O momento em que a Norma sai da cadeia e começa a ir em busca da forma como ela vai chegar ao Leonardo, ela fica bem parecida com a Maria de Fátima. Nas tramas, nas armações, nessa coisa de armar situações para que tudo se defina para o lado dela. Por exemplo, no caso do rapaz que está na vaga da Fabíola [Roberta Rodrigues], que ela quer morar lá para se aproximar do Milton, ela vai, descobre tudo do cara, pega uma prostituta, arma toda uma história para a Fabíola chegar no apartamento na hora que eles estão... Esse tipo de armação é bem Maria de Fátima. Eu acho que é o estilo Gilberto. É o estilo que ele tem de realizar essas proezas.
O Gilberto Braga é o seu autor?
Seu eu dissesse isso eu estaria sendo injusta com outros trabalhos que eu fiz. Costumo dizer que sempre tive muita sorte. Desde muito jovem eu tive excelentes oportunidades, trabalhos incríveis. Poder fazer a Ana Terra [de "O Tempo e o Vento"] foi uma coisa maravilhosa, uma coisa totalmente nova para mim. Poder fazer a Maria Moura [de "Memorial de Maria Moura"], poder fazer as gêmeas [Ruth e Raquel] de "Mulheres de Areia", que foi um desafio também incrível... Então, o Gilberto é um grande parceiro, sem dúvidas, uma pessoa que eu admiro. Adoro o universo gilbertiano e pretendo ainda fazer muitas coisas legais com ele. Personagens incríveis, que é sempre o que eu busco.
Você fez alguma preparação específica para a personagem?
Não teve uma preparação específica. A Norma é uma técnica em enfermagem. Ela não transitava no mundo do crime, nem era presidiária, ela era uma mulher simples. O trabalho que teve foi de caracterização, de desglamurização. O Gilberto queria que ela fosse uma mulher muito descuidada, muito feia, uma pessoa que não demonstrasse nenhum tipo de cuidado, de vaidade ou de interesse. A vaidade é uma arma de sedução e a Norma não tinha nenhum alvo a ser seduzido. Ela era uma mulher fechada para a vida, fechada para a sedução, para o amor, para tudo. E os elementos já estavam todos ali. Não havia necessidade de buscar alguma coisa que não estivesse ali, no próprio texto.
A virada da personagem já estava programada. Não foi algo que te pegou de surpresa...
Não, isso estava programadíssimo. Inclusive hoje, numa cena que nós gravamos, o Gabriel [Braga Nunes], que foi a última pessoa a ler a sinopse, porque entrou por último na novela, chamou a atenção para o fato de que na sinopse a cena estava descrita com os mesmos detalhes que veio no capítulo. Estava super-programado, super-definido que seria assim. O Gilberto é muito organizado. A sinopse dele é bem detalhada.
Como trabalhou essa mudança da personagem? São praticamente duas pessoas diferentes...
Eu diria que são três personagens, porque tem também esse meio de caminho que aconteceu. O momento em que ela bota em prática tudo o que ela pôde aprender no tempo de prisão. Eu acho que eu fui favorecida pelo tempo que isso levou para acontecer. Isso ajudou a fazer esse movimento de uma forma... Também eu já não aguentava mais! Eu não aguentava mais aparecer na televisão horrorosa daquele jeito. Na hora que finalmente a coisa se definiu, foi um alívio. É um teste de humildade, ainda mais com essa televisão LED, com esse HD infernal. Eu tenho ódio de quem inventou isso. Certamente, foi inventado para apreciar a vida sexual dos insetos, das amebas. Isso é uma coisa muito válida, mas botar na cara de um ser humano, ninguém merece. Eu tinha vontade de saber de quem foi essa brilhante ideia. De quem foi esse momento de lucidez de trazer isso para a cara do ser humano. É um crime, os atores todos deveriam processar. Qualquer virada brusca está lá a ruga, a mancha na pele... É um inferno. E nunca é suficiente estar magro demais para o HD.
Você é muito vaidosa?
Na verdade, eu nem sou, porque se eu fosse, eu nem aceitaria fazer esse tipo de personagem que fica 60 capítulos o cão chupando manga. Eu não sou a pessoa mais vaidosa do mundo, mas eu acho uma injustiça com todo mundo que trabalha com isso --com os atores nem se fala--, mas tudo fica mais difícil.
Então, não tem problema de encarar personagens "feios"?
Já encarei várias vezes. Eu não tenho essa problemática da aparência, da estética... Claro que eu quero estar bem. Acima de tudo, quero estar saudável. A minha maior preocupação é estar com o meu corpo funcionando corretamente. A beleza é o resultado de uma saúde boa, de bons hábitos. Só os cremes, os tratamentos estéticos, não vão resultar em uma coisa a longo prazo. O tempo tem a ação dele e isso tem que ser respeitado. É uma vida que acontece. Não pretendo ter 60 anos com cara de 20. Não tenho esse grilo. Minha filha vai ter filho e eu vou ser avó. Para mim isso não é um problema, pelo contrário. Eu acho isso o máximo, se eu puder ter saúde para curtir, como eu curto o meu filho de seis anos, de brincar, de jogar bola, de correr, de pegar ele no colo, de lutar, se eu puder ter saúde para aproveitar, eu vou estar feliz da vida.
Aos 47 você continua recebendo bons papeis, qual é o segredo?
Eu não sei, eu tenho sorte, eu acho, porque as pessoas me chamam para coisas ótimas. E eu não recuso. Se é uma coisa que tem a ver comigo, que está falando comigo naquele momento, vem de encontro a um desejo meu, a uma coisa que eu tenho pensado, perfeito, eu vou e faço. Eu adoro trabalhar.
Muita gente considera você a melhor atriz da sua geração...
Nossa, que responsa! Olha, eu fico feliz que o trabalho que eu faço agrade tanto às pessoas assim, mas eu não acho que existe ninguém melhor do que ninguém. Essa coisa de "a" melhor atriz... Isso é tão relativo. Isso está muito ligado às oportunidades que você tem de mostrar o seu trabalho. Eu realmente sempre trabalhei muito. Férias é uma coisa que está na minha vida há pouco tempo. Eu sempre fui muito focada no meu trabalho, sempre quis muito alcançar um lugar. Mas, ao mesmo tempo, eu não fico pensando se eu alcancei esse lugar, se eu cheguei aonde achava que seria o ideal. Eu não penso nisso. Eu sou movida pelo dia-a-dia, pelo futuro, pelas novas possibilidades. Eu sou uma pessoa bastante contemplativa, introspectiva até, mas profissionalmente eu acho que a minha carreira foi o oposto disso. Eu sempre fui muito de agir, de fazer. Eu tive muitas oportunidades. Além da sorte que fez com as pessoas me oferecessem sempre coisas muito bacanas. Acho que isso trouxe uma exposição, uma galeria de personagens fortes, marcantes. Talvez o fato também de eu já ter tanto tempo, uma carreira já de 43 anos, também influencie. Eu não levo isso para a minha vida. Fico feliz quando as pessoas torcem, dizem que acompanham, que rezam por mim, pela minha família... Eu acho bacana, acho que essa energia tem muito valor.
Você, de fato, sempre trabalhou muito em TV e cinema. Por que nunca foi seduzida pelo teatro?
Eu já tentei produzir uma peça, mas não foi uma experiência boa e eu nem queria falar sobre isso porque isso envolve outras pessoas, que são pessoas de teatro e, para poder explicar o que aconteceu, eu vou ter que envolver essas pessoas. Então vai ficar muito ruim para elas.
Agora falando especificamente da sua personagem atual: Norma é uma vilã? Ou uma justiceira?
Eu não considero ela uma vilã nem uma justiceira. Considero ela uma personagem humana colocada em uma novela. Ela é uma personagem com todas as tintas do ser humano, os altos e baixos, as dúvidas, o ódio, o desejo de vingança, os arrependimentos, a culpa. Tudo isso são sentimentos humanos. Só que ela está inserida numa dramaturgia de telenovela. E eu acho muito interessante todas essas cores fortes porque eu adoro novelão. Acho que a gente está trazendo uma coisa muito legal, que estava um pouco adormecida no gênero. Acho que por isso o público está reagindo.
O clima nas gravações das cenas em que a Norma se vinga do Léo é pesado?
As cenas são fantásticas, são deliciosas, a gente morre de rir comentando. Na época da prisão, era complicado. Eu chegava bem arrasada. Mas agora é um cansaço mental, de muito texto, diferente daquele clima de gravar na penitenciária. Você imaginar aquela situação e estar tão próxima daquilo é uma barra pesada. Eu caí doente no dia que eu gravei pela primeira vez no presídio de verdade.
A Norma ainda é apaixonada pelo Léo?
Ela descobriu a paixão com ele e caiu do cavalo. Não é só o fato de ela ter ficado presa tantos anos por uma coisa da qual ela era inocente. O fundo disso aí tudo é a paixão que ela sentia e o sentimento de rejeição. Isso que está trazendo ela para frente, para se vingar desse cara. Ao mesmo tempo, vontade de ter ele e vontade de matar ele. Essa coisa louca que é a paixão.
Mas acha possível que os dois ainda fiquem juntos na novela?
Romanticamente, acho impossível. São universos completamente diferentes. Nunca vai haver um encontro verdadeiro de amor.
Como tem sido a reação das pessoas na rua?
Tem gente que defende e que ataca como se estivesse falando de uma pessoa real. Muitas pessoas são induzidas pelo que leem nos sites. A história ainda não aconteceu, elas não visualizaram ainda a tal situação que o site disse que vai acontecer. Daí elas comentam sobre isso. Eu não posso confirmar, não acho graça em contar novela, acho que o interessante é assistir. Então, as reações são muito variadas. Também não tenho saído tanto assim. Já encontrei uma mocinha engraçada que disse que estava adorando todas as maldades e que ela tinha mesmo que sacanear todo mundo. Eu não acho que ela está sacaneando ninguém. Em alguns momentos, ela arma uma situação, mas de prejudicar realmente ainda não teve ninguém realmente prejudicado impunemente. Algumas pessoas falam que ela está ficando muito má. Quero ver que horas que ela vai sacanear o Léo. As pessoas só querem isso, na verdade. Ninguém está nem lembrando que ela matou a Araci [presidiária vivida por Cristiana Oliveira], que ela botou a toalha molhada no Teodoro [personagem vivido por Tarcísio Meira, que morreu de pneumonia]... As pessoas querem saber que horas ela vai pegar o Léo.
E como lida com o assédio da imprensa? No final da década de 90, você chegou a mudar de país após um boato envolvendo a sua família [de que o cantor Orlando Morais teria tido um caso com a enteada, Cleo].
Esse assédio no nível que está hoje foi uma coisa que me pegou quando eu já tinha bastante estofo. Hoje em dia, com esse monte de veículos e essa necessidade de informação, se cria esse tipo de coisa. Mas aquilo não teve relação nenhuma com o assédio que a imprensa possa ter tido ou tem na minha vida. Aquilo ali é uma coisa bem mais grave, que tem a ver com esses crimes de internet que a gente vê hoje. Foi uma coisa maluca que alguém lançou e que toda a imprensa foi atrás, acreditando ou não, mas cumprindo seu papel de informar. Só que quando a gente descobriu que era com a gente, porque a nota não dava nomes, apenas insinuava, soltamos um comunicado dizendo que não existia nada daquilo e nem todo mundo corrigiu a informação.

Créditos: Folha Online.

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