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A polêmica do amor homossexual nas novelas - Censura ou público imaturo para a discussão?

FAMOSIDADES
Por TAYNARA MAGAROTTO

SÃO PAULO - Dizem por aí que teledramaturgia, em geral, tem como uma de suas missões abrir a discussão sobre questões polêmicas, quebrar preconceitos e falar sobre tabus. Beijo entre um homem e uma mulher aconteceu, fez sucesso e hoje é totalmente aceito. O nu também foi uma grande etapa a ser ultrapassada, e é colocado no ar atualmente como nunca e encarado de forma normal pelos telespectadores. Mas há uma coisa que ainda não é discutida nas telinhas. Sim, voltamos para o ponto do beijo gay.
Depois de um tempo sem tocar no assunto profundamente, e evitar imagens mais íntimas entre personagens do mesmo sexo, a TV brasileira resolveu abordar a temática homossexual com mais força este ano. Atualmente, o Brasil acompanha duas novelas que abordam – ou abordavam até esta semana – o mundo gay: “Insensato Coração”, da Globo, e “Amor & Revolução”, do SBT.
Desde seu início, a novela global contou a história de três personagens gays: Eduardo (Rodrigo Andrade), Roni (Leonardo Miggiorin) e, por último, Hugo (Marcos Damigo). Nas últimas semanas, o público pôde ver uma maior aproximação entre Edu e Hugo e cenas que induzem o telespectador a pensar que os namorados passaram a noite juntos e se beijaram na boca. Mas o beijo, o abraço, o sexo não são mostrados em cena.
Em “Amor & Revolução”, a história chega a ser parecida, mas há um diferença que vale registrar. O romance de duas mulheres, Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre), já foi bem exposto e até rolou beijo na boca em horário nobre da TV brasileira. A sequência, no dia que foi exibida, ficou entre os assuntos mais falados nas redes sociais.
Porém, no início desta semana, a Rede Globo determinou que a história dos homossexuais Eduardo e Hugo “fosse completamente esfriada no folhetim”. Além disso, segundo o jornal "Folha de S.Paulo", a emissora pediu silêncio aos autores e atores, para que não levantassem nenhuma bandeira relacionada ao assunto  homossexualidade.
O mesmo jornal publicou uma matéria em que contava que o SBT também pediu para os atores “baixarem a bola” quando o assunto for o relacionamento entre as gays Marcela e Marina. Além disso, a novela “Amor & Revolução” já teve algumas cenas de uma aproximação maior entre as personagens vetadas pela emissora.

Há quem diga que a televisão é um meio de comunicação que atinge todos os públicos, independente de sua cor, sexo, classe social ou orientação sexual. Porém, vale destacar que o relacionamento homoafetivo não é necessariamente mostrado como realmente é.
Em tempos de lei de reconhecimento legal da união homoafetiva sendo aprovada no país, será que o público está preparado para encarar cenas de beijo, nudez e até sexo entre pessoas do mesmo sexo? Ou, na verdade, são as emissoras de TV que não querem arriscar seus valiosos números de audiência colocando no ar o que pode não agradar muita gente? Será uma auto-censura?
O Famosidades conversou com Rodrigo Andrade, ator que dá vida a Eduardo na novela “Insensato Coração”. Além de ter um namorado (Hugo, vivido por Marcos Damigo), o personagem estava em intenso conflito com sua mãe, Sueli (Louise Cardoso), que sofreu assim que soube da orientação sexual do filho.
Questionado se essa não seria a hora de arriscar e colocar no ar cenas mais quentes de Eduardo e Hugo, como nudez, o ator se mostrou esperançoso. “A Globo tem um grande padrão de qualidade. Ela tenta fazer uma imagem que não vai agredir. Cena de homens nus vai chocar. A gente já está no crescente. Uma hora isso vai rolar, sim, do mesmo jeito que rola cenas de sexo entre homem e mulher... Mas vai levar um tempo para ser uma coisa natural”, disse.
Rodrigo também comentou que é favor do beijo gay na novela, mas ponderou: “Eu faria, mas não acho necessário. Porque a história entre Eduardo e Hugo já está muito bem contada. É uma história de amor. Não são dois adolescentes. Eles se amam, se apaixonaram. Igual um homem se apaixona por uma mulher. Quando a gente se apaixona por homem e mulher, a gente vai atrás, chora, briga. Acho que o beijo é um símbolo importante de carinho, atenção. Um beijo fala mais do que mil palavras. Se rolasse beijo seria legal. A sociedade precisa parar de ver isso como uma coisa absurda. Acho uma bobagem essa polêmica [de beijos gays em novela]. Se rolasse, acho que conseguiria mostrar para a sociedade que é normal e que não vai machucar ninguém. Acho um pouco difícil. Mas se não rolar, não vou me sentir frustrado”.

Mas parece que a homofobia e a homossexualidade não são causas a serem criticadas, apoiadas ou, simplesmente, discutidas nas novelas brasileiras. Pelo menos não ainda. Na tarde da última terça-feira (19), a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) enviou um comunicado à Rede Globo criticando a posição da emissora de censurar a novela:
“Entendemos que, longe de estar fazendo uma apologia, a novela está cumprindo um papel importantíssimo como veículo informativo, servindo para desmistificar a homossexualidade perante a sociedade em geral, contribuindo para modificar as atitudes que fazem prevalecer a homofobia. Censurar neste momento parte do teor que já vinha sendo anunciado pela própria emissora mesmo antes da novela ir ao ar, nos parece um recuo que apenas serve para referendar a mensagem que a própria novela estava passando: a homofobia ainda está predominante em nossa sociedade”.
Procurada pelo Famosidades, a assessoria da novela global respondeu às críticas sobre censura de sua trama:
“Em primeiro lugar, a obra não é de terceiros. É da TV Globo que contrata autores para escrever as suas histórias que leva ao ar a todos os brasileiros. Logo, não se pode falar em censura porque a obra é nossa. No nosso entendimento, a causa é a diversidade e o respeito às diferenças, e não propriamente a homossexualidade ou a heterossexualidade, ou quaisquer outras formas de orientação individual. A ciência - incluindo Freud - reconhece que a sexualidade, com suas variantes éticas e morais - é baseada na singularidade. Nossas tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação. Cabe, sim, combater a intolerância, o preconceito e a discriminação contra elas, o que temos estimulado cotidianamente inclusive por meio de campanhas. Porém, a livre sensibilidade artística é a única medida possível para delinear a ousadia criativa, o que vale para toda e qualquer situação ou tema. Esse desafio torna-se ainda mais difícil quando se trata de respeitar uma audiência não-segmentada, múltipla em suas expectativas e preferências”.

Na real, Gilberto Braga e Ricardo Linhares avisaram, antes mesmo da novela se iniciar, que iam narrar histórias homoafetivas ao longo do folhetim, e parece que receberam mesmo um "pedido" para dar um breque na história romântica de duas pessoas do mesmo sexo.
Perguntado como era o assédio do público na rua, Rodrigo Andrade disse que a reação das pessoas é “bem bacana”. “A repercussão ficou muito grande na rua. Sempre uma resposta muito positiva. Até hoje ninguém veio com o preconceito, com piadinhas de mau gosto. Já está ficando comum. Já vieram até homossexuais conversar comigo, dizendo que se identifica com Eduardo. Teve até um homem que me disse que até parecia que Gilberto Braga sabia as palavras que a mãe dele usou quando mostrou a cena da conversa entre Eduardo e sua mãe, Sueli”, contou ele ao Famosidades.
“Insensato Coração” não começou a abordar um assunto apenas com a mídia e os telespectadores, não. Até os personagens tiveram uma mudança de visão sobre homossexualidade com a trama, como Rodrigo. “Mudei muito, muito, muito. Cresci como ser humano. Antes da novela, nunca tive preconceito, mas era um mundo desconhecido pra mim. Se eu visse um link sobre um assunto em um site, por exemplo, não parava para ler. Não me chamava atenção”, admitiu.
Porém, o ator mudou quando começou a estudar para o personagem e percebeu o quanto ruim para a sociedade é o preconceito sexual. “Me sinto agredido também quando vejo notícias de pessoas que batem em homossexuais. Sou totalmente contra a homofobia. Levanto a bandeira e não vejo problema nisso”, disparou ele, que ressaltou que está “representando um ser humano de bem, de caráter”.
Na novela global, a censura vale somente para os personagens Hugo e Eduardo. Espevitado, cheio de humor e com cenas um tanto caricaturadas do cotidiano de um gay, Roni (vivido por Leonardo Miggiorin) terá suas cenas sem nada de censura.
Vale destacar que, nessa semana, o Ministério da Justiça decidiu manter a classificação indicativa de “Insensato Coração”, não recomendada para menores de 12 anos. O órgão público avalia que a novela tem exibido conteúdo de relevância social, principalmente para valorização e respeito aos direitos homossexuais.
Mas parece que não é isso o que está acontecendo, não é?! Em 2011, temos a impressão de que estamos vivendo sob censura, sob medo constante de "ferir" o outro com algo "fora do comum". Resta-nos saber se as emissoras brasileiras que resolveram tocar na ferida, e mostrar quem machuca e quem é machucado, estão com medo de se aprofundar ainda mais nessa experiência, ou se é o público que ainda não está preparado para aceitar o assunto.

Créditos - Famosidades.

3 comentários:

  1. O que vemos nos últimos tempos é o contexto da imposição, prova disto são os números de audiência de antigamente por emissora e os de hoje em dia como são oscilantes. Se dissermos que não sabemos o que é sexo em todas as formas, nudez entre outras situações que hoje ocorrem na tv e eram tabus, estaremos possivelmente brincando, mais vemos porque é o que se tem. Nas novelas de Walcir a mulher tonta é sempre abordada, nas de Manoel Carlos são más em relação aos sentimentos, e a mulher brasileira se sente valorizada? Não! Assiste porque quer! Como por exemplo. De algum tempo o homossexualismo tem sido tratado na tv sim. É praticamente uma sequência de enredos de uma frustação autoral muito percebida pela conveniência e pela discussão no momento. Acho engraçado como esta imposição é mau discutida. Se realmente discutirmos veremos entre os mortais quem tem hipocrisia. Porque temos que vivenciar isto se na prática e na teoria é imposição. Para alguns não existe ex-gay, mais existe ex-hetero, claro se existe ex-hetero, existe ex-gay. Pode-se discutir sim a imposição, jamais estabelecer uma ditadura, porque isto é desrespeito. Sou contra esta imposição por conveniência.

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  2. OBSERVAMOS UMA CRESCENTE ONDA DE VIOLENCIA CONTRA OS HOMOSSEXUAIS,APOS A TENTATIVA DE LEGALIZAÇAO DOS SEUS DIREITOS, E ENCENTIVO ATRAVES DAS NOVELAS QUE TEM ABORDADO DESTE ASSUNTO QUASE EM TODAS AS MOSTRANDO O QUANTO SÃO DESCRIMINADOS E DANDO ENFASE PARA QUE ISSO ACONTEÇA,AO LEVAR AO AR CENAS DE VIOLENCIA CONTRA ELES. ONDE ESTAO AQUELES PROGRAMAS QUE PODERIAMOS ASSISTIR COM NOSSA FAMILIA?NÃO BASTA O QUE JÁ VIVEMOS NO DIA DIA;TEM QUE SER LEVADA AO NOSSO LAR CENAS DE VIOLENCIAS E OUTRAS E OUTRAS QUE NOS DEIXAM ESTARRECIDOS DIANTE DE TANTAS COISAS.SERA QUE NOSSOS FILHOS NÃO PODEM SER EDUCADOS POR NÓS COMO FOMOS POR NOSSOS PAIS,TEM QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO INCETIVAREM O QUE ELES DEVEM SER?ONDE ESTA OS PROGRAMAS EDUCATIVOS QUE DEVERIAM SEREM EXIBIDOS NOS HORARIOS NOBRES EM QUE A FAMILIA ESTA SEMPRE REUNIDA,POR QUE OS MELHORES PROGRAMAS SÓ PASSAM EM HORARIOS NÃO COVINIENTE TIPO 23HS EM DIANTE OU 05HS DA MANHA?PRECISAMOS DE BOAS PROGRAMAÇOES VOLTADAS PARA FAMILIA.

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  3. Em primeiro lugar, "ex-hetero" realmente não existe. A não ser enquanto está se engatinhando. Tenho quase 40 e cresci ouvindo que as novelas destroem a família. Na verdade, como a IMENSA dos autores é composta por homossexuais (prefiro falar apenas dos masculinos) fica a suspeita que eles transferem, para a telinha, as frustrações familiares que carregam pela vida. Ou seja, o pensamento homossexual destroi lares. Ah!, e para a autora do texto (assim como para Martha Suplicy), vale um aviso: se vocês, mulheres, sumissem do mundo, seria uma bênção para os caçadores de homens, verdadeiros inimigos da classe feminina. Finalizando: tudo que falei são fatos ou preconceitos?

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