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Hora Zapping


((( Fina Estampa )))



Por: Aldieres Welington


Ola! Tudo bom? Já se fazem um tempinho, desde o nosso último dedinho de prosa, não? Mas o “Hora Zapping” está de volta, com exclusividade para o blog “Audiência de TV”. 

Começo, portanto este nosso diálogo, indagando, qual é o maior elemento da nossa cultura? Se você respondeu telenovela, certamente acertou. Foi lá nos idos de 51, nos moldes do teatro, que a trama “Sua Vida me Pertence”, ocupando as noites de terças e quintas-feiras, começou a engatinhar a história, do que viria ser uma das maiores vitrines de talentos. A primeira novela diária, só chegou em 63, na TV Excelsior, “2-5499 Ocupado”, de autoria de Dulce Santucci. Quando estreou, a produção era exibida em São Paulo as segundas, quartas e sextas e a emissora enviava os videoteipes para as outras capitais. A TV Excelsior do Rio de Janeiro, em setembro de 63, percebendo que poderia atrair mais publicidade e habituar o espectador a acompanhar a trama, resolveu exibir a novela diariamente. Com isso, acabou abrindo caminho para o gênero ganhar mais público. No entanto no ano seguinte, na TV Tupi, que “O Direito de Nascer”, caiu no gosto dos brasileiros. Quem imperava no Brasil naquela época era mesmo Glória Magadan. A exilada cubana ficou conhecida por escrever dramalhões ambientados em países distantes do Brasil. Foi com “Beto Rockfeller”, que a TV Tupi, em 68, resolveu apostar em personagens e situações ao estilo brasileiro, a aposta deu certo. Por sua vez, a hegemonia da vênus platinada, começou em 70, e a figurinha ou figurão desta arte, era Janete Clair. “Irmãos Coragem”, triunfou e entregou a Globo a liderança. Não é por mera coincidência, que a emissora resolveu apostar no remake de “O Astro”. Em 73, a Globo leva ao ar, “O Bem-Amado” de Dias Gomes, a primeira novela em cores e também a ser comercializada no mercado internacional.  

A telenovela, esta produção ficcional seriada que sustenta e inclusive projeta internacionalmente a maior rede de televisão do país, não é um produto exclusivo da Rede Globo. Outras emissoras apostam no segmento. O SBT embora tenha feito um tímido investimento, precisa aprender e muito sobre a arte da teledramaturgia, experiência não falta, já que num passado, não muito longínquo as tramas do canal, tiveram aceitação de público, crítica e mercado internacional. Por lá já passaram: Walcyr Carrasco (Cortina de Vidro e Fascinação), Sílvio de Abreu (Éramos Seis), Laura César Muniz e Bosco Brasil (As Púpilas do Senhor Reitor), Vicente Sesso (Sangue do meu Sangue) e até mesmo Cristiane Fridman (Dona Anja). Benedito Ruy Barbosa, Glória Perez e Walter Negrão também tiveram passagem, pela emissora de Sílvio Santos.  A Record por sua vez, precisa criar junto com os seus telespectadores a cultura de se assistir à telenovela. Ultimamente a marca de novela das 10, embora não muito respeitada, é um caminho louvável do canal. O fato de a novela ser inteiramente nacional ou baseada em um produto já consagrado, não diminui o valor da obra. O Brasil é multicultural, e devemos entender que televisão acima de tudo é negócio. 
Esta semana, por exemplo, os brasileiros passaram a acompanhar “Fina Estampa”, a novela das 9, da Rede Globo, escrita por Aguinaldo Silva. O escritor e tido como polêmico, por dizer verdades, e pra outros “é o cara que se acha”! Mas ele pode continuar se achando. Acertou como luva de película a atenção do telespectador, prova concreta é a audiência na casa dos 40 pontos. A história de Criselda, ou Pereirão, tem o pé bem fixado na realidade.  Houve especulações, de que a Criselda, de Silva e a Dulce, de Carrasco teriam o perfil semelhante. Esta mãe de Guilherme, e aquela mãe de Antenor. Ambos os filhos tem a ambição de subir na vida a todo custo. No entanto Criselda embora com situação econômica similar a de muitos brasileiros, é simples, mas não burra. A personagem Dulce, de “Morte e Assopra”, até pouco tempo atrás, não tinha noção do que é ter um filho estudando medicina, era desinformada demais, para criar um filho com um foco cultural tão ambicioso, uma vez que o meio, não responde, mas influi na formação. Em Fina Estampa, Criselda ao perceber, que Antenor esqueceu o material de trabalho, em casa, vai à faculdade, e na ida, tenta obter informações sobre a vida acadêmica do filho, que é bolsista. Na trama das 7, Dulce ao que tudo indica nunca se informou sobre o curso falsário de Guilherme, e pra enriquecer o conto de fadas, ele é contratado pela secretária de saúde de Preciosa, para trabalhar no posto médico. Se a intenção era tratar da corrupção no serviço público, a pegada é fraca demais, uma vez, que Guilherme, não representava nem um ganho, sejam financeiros ou político, para o prefeito Isaías. Já a antagonista Tereza Cristina é de um garbo esplendido. Torloni conseguiu imprimir um tom bastante interessante, ao papel de dondoca, no melhor estilo: meiga e megera. Diálogos rápidos, divertidos. Sem cenas ou situações mirabolantes. A trama leve chegou a ser comparada com uma novela das 19 horas. Foi uma estreia simpática, simples, solar, alto astral, o que deve perdurar em toda a trama. Enfim o capítulo chega ao fim, e você nem sequer percebe.

Quem também deu um show, foi à equipe de criação de Donner e Stein. Eles foram se inspirar em “Brilhante”, no ano de 81, para compor a abertura de “Fina Estampa”. Tem como questão central o valor do caráter e da aparência, eles utilizaram um jogo de espelhos, onde duas modelos (sósias da jornalista Patrícia Poeta, reparou?) desfilando por uma sala de espelhos. O figurino, que sofre alterações ao longo do um minuto de arte, é o grande destaque. Começa com um macacão cinza e termina com um belo vestido vermelho. A ideia é explorar o mote do folhetim: realidade (caráter) versus reflexo (aparência).  Por meio de seu Twitter, o autor do folhetim, Aguinaldo Silva, comentou que a vinheta é móvel. Ou seja, a abertura apresentará alterações de acordo com o andamento da trama. Tudo isso ao som peruano instrumental de chocho. Em “Brilhante” foi colocado um gato e uma mulher em uma sala só de espelhos. Comparações a parte, já que o primeiro projeto foi há 30 anos, é o mesmo que ver “Chaves” no SBT e dizer que é nostalgia, no entanto para a atual geração é novidade. 

A telenovela é um chamariz de anunciantes, pois fideliza público. Evoca e promove discussão dos mais variados assuntos, além de mudar conceitos e hábitos dos brasileiros. Um produto rentável enquanto está no ar, e lucrativo por muito tempo, já que pode ser comercializados, para outros canais, países afora. Depois desta pequena viagem no tempo, é possível verificar, como tal produto interfere no dia a dia dos brasileiros. Tendo em vista os fatos apresentados, e entendidos, que uma novela é uma obra aberta, com foco financeiro, e que na cultura brasileira é capaz de efetuar uma enorme transformação, argumente a sua opinião, use o nosso espaço de comentários, e incremente ideias, ao texto. Para me acompanhar no Twitter: TIAldieres, por hoje a gente fica por aqui, semana que vem tem mais, tchau!


Um comentário:

  1. Esse folhetim do arrogante Aguinaldo, trata-se na verdade de mais do mesmo, inclusive essa Pereirão, está mais para a Augusta de Vidas em jogo da Record e seu filho estudante que se envolve com uma garota rica, bem como o fato de ganhar na loteria, tambem remete a trama da Record, será que tá faltando originalidade a Globo, e por isso seus autores estão copiando a concorrência???????

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