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MTV americana faz 30 anos descolada do resto do mundo

A crise dos 30 bateu na MTV. A emissora norte-americana comemorou, no início deste mês, três décadas de atuação, cada vez com menos música e mais reality shows.
De início, foi um canal em que artistas lançavam moda. Em 1983, o grupo Kiss deixou para aparecer pela primeira vez sem maquiagem na emissora; no ano seguinte, o cantor Michael Jackson causou sensação com a estreia do videoclipe de "Thriller".
Criou formatos de sucesso como o "Unplugged", que até hoje alavanca as vendas de discos, e animações que marcaram por serem politicamente (e deliciosamente) incorretas -"Beavis and Butt-Head" é o melhor exemplo.

Com o tempo, perdeu espaço para o YouTube, para as redes sociais, enfim, para a internet. Teve de se reinventar para tentar encontrar um novo público, bem menos interessado em música.
Já suas filiais pelo mundo se desvencilharam da nave-mãe e passaram a adotar modelos independentes.
"A MTV americana era uma mãe, mas agora está cada vez mais americana. As MTVs internacionais mal se relacionam com a matriz", diz Zico Góes, diretor de programação da MTV Brasil.
"Lá fora tem muito reality show --alguns bem cafonas, como o 'Jersey Shore'-- e programas comportamentais. É uma grade que não serve para o público do Brasil."
Ele afirma que aqui ainda há 70% da programação com clipes musicais, embora poucos deles no horário nobre, e reforça que as comédias funcionaram tão bem que agora devem ganhar "filhos".
"Vejo uma maturidade dos humorísticos. Para o futuro, vamos investir na evolução dos títulos que temos. Queremos que o 'Comédia MTV' vire um 'Saturday Night Live'", define, se referindo ao veterano programa de onde saíram Jim Belushi, Dan Aykroyd e, mais recentemente, Tina Fey e Seth Meyers.
"Também achamos que temos gente boa e repertório suficiente para ser desdobrados em outros programas."
Essa movimentação já começa agora. O "Furo MTV" vai ser gravado em Londres para falar de Olimpíada.
Na 17ª edição, o Video Music Brasil (VMB) vai ser reformulado -mais uma vez.
Marcado para outubro, em São Paulo, ocupará três estúdios simultaneamente. "A mesma música vai ser tocada em lugares diferentes, e a plateia poderá circular entre os palcos. Mas a proposta é bem diferente daquilo que a MTV gringa tem feito", diz Góes.
Em comum entre as duas emissoras, está um resgate de apresentadores das antigas e de coisas que deram certo --como o "Beavis", que ganha novos episódios nos EUA e será exibido também no Brasil. "Há pontos de contato, mas comungamos menos editorialmente", finaliza Góes.

Colaborou CARLOS MESSIAS.

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