sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Contrato de sociedade seria uma desvantagem para mim", afirma Celso Portiolli sobre futuro no SBT

Considerado o substituto de Silvio Santos, o apresentador do “Domingo Legal”, Celso Portiolli, nega relatos publicados recentemente de que se tornará sócio de Silvio Santos.“Não existe essa possibilidade, eles [SBT] não falaram nada sobre isso e nem vão falar. O ‘Domingo Legal’ é um programa diferenciado com altos custos. Essa regra de 50 a 50 funciona só para alguns. Contrato de sociedade não é rentável, seria uma desvantagem para mim”, diz referindo-se a forma de contratação dos apresentadores Ratinho e Raul Gil.

Em entrevista ao UOL Televisão, o apresentador conta que em 17 anos de SBT sua carreira teve altos e baixos, o que o levou para terapia. “Não existe nenhum um animador que tenha passado pelo o que eu passei. Vivi em uma montanha russa na minha carreira, quando estava bem no ar, no auge, o programa saía sem nenhuma explicação e tudo sumia das minhas mãos. Foi aí que comecei a exercitar minha paciência e sofrer calado. Fiz duas sessões de terapia e depois de ficar muito triste, vi que não posso sofrer pelas atitudes dos outros.”

Com contrato vencendo em novembro, Portiolli conta que os responsáveis já começaram a negociar sua permanência na rede televisiva. “As partes já estão conversando, mas ainda não falaram comigo.” Questionado se recebeu proposta de trabalho de outras emissoras ou se trocaria o SBT, ele não quis dizer se sim ou se não, mas afirmou: “Preciso trabalhar.”

Aos 44 anos, dono de duas emissoras de rádio, pai de três filhos, casada com a mesma mulher há 20 anos, Portiolli ingressou em três cursos universitários – comunicação, administração e engenharia --, mas por conta do sonho de ser radialista e apresentador de TV não conseguiu concluir nenhuma faculdade. “Era convidado para apresentar programas de rádio em outras cidades e ia, não importava se estava estudando ou não. Tinha o objetivo de chegar a São Paulo antes dos 21 anos e trabalhar em uma grande emissora. A grande paixão na minha vida sempre foi o microfone, mais do que a TV.” Leia abaixo a entrevista completa com o apresentador.
UOL - Como é apresentar o “Domingo Legal”, após ter ficado sem programa na televisão durante dois anos?
Celso Portiolli - Veio na hora certa, justamente quando eu decidi dar uma guinada na minha carreira e queria trabalhar. O público estava cobrando. Tanto é que no primeiro dia eu não senti medo nenhum na hora de apresentar o “Domingo Legal”, pois havia muita gente na torcida, desde o cara da portaria até a vice-presidência do SBT. Deus escreve certo por linhas tortas.

UOL - Você gostaria de experimentar um novo formato de programa?
Celso Portiolli -Eu já fiz tanta coisa na televisão. Estou muito feliz agora, gostaria de manter essa fase. O “Domingo Legal” é um programa de variedades, dá para misturar reality show, game, é uma colcha de retalhos. Eu consigo fazer tudo o que gosto na TV com o programa que tenho neste momento. Quero trabalhar até 2024 na TV, quando completo 30 anos de carreira, e depois colocar alguém em meu lugar, mas não sei... Todo mundo aposta comigo que não vou parar.

UOL - Como você avalia sua trajetória?
Celso Portiolli - Com 20 anos de idade eu já estava em São Paulo e resolvi voltar para o Paraná para cuidar do meu pai, que estava muito
doente e recomecei minha carreira. Quando retornei a São Paulo já era vereador, tinha loja, promovia shows, dirigia duas emissoras de rádio, estava pronto para casar e morar no interior. Joguei tudo para cima pelo sonho de ser apresentador de televisão. Trocar o certo pelo incerto mostrou que eu era extremamente determinado. Depois da minha determinação, o que mais me marcou foi a minha perseverança. Não existe nenhum um animador que tenha passado pelo o que eu passei. Vivi em uma montanha russa na minha carreira, quando estava bem no ar, no auge, o programa saía sem nenhuma explicação e tudo sumia das minhas mãos. Foi aí que comecei a exercitar minha paciência e sofrer calado. Fiz duas sessões de terapia e depois de ficar muito triste, vi que não posso sofrer pelas atitudes dos outros. A única vez que eu reclamei foi quando vi minha família sofrendo. Hoje eu dou muito valor para tudo o que eu tenho, pois não foi fácil, nada veio de “mão beijada”. Sempre com muita luta, perseverança e sofrimento.

UOL - Qual sua relação com o Silvio Santos?
Celso Portiolli - Ele manda e eu obedeço [risos]. Ele é muito tranquilo, hoje minha relação com ele é muito boa. O SBT é a melhor emissora para trabalhar, é um ambiente familiar onde todos se conhecem, se gostam e se ajudam. Eu vejo o Silvio [Santos] a cada três anos. Ele é muito gentil.

UOL - Como você vê o SBT no cenário televisivo brasileiro atual?
Celso Portiolli - O SBT está passando por uma fase muito bacana, acabaram com o problema de instabilidade na grade de programação, que os telespectadores reclamavam. Isso fez com que as pessoas retomassem a acompanhar a emissora, isso é importante.

UOL - Quais as grandes apostas do SBT, em sua opinião? Você se considera uma aposta?
Celso Portiolli - O SBT é um celeiro de talentos, sempre deu oportunidades para todos. A Patrícia [Abravanel] tem surpreendido a todos. Eu sempre fui uma grande aposta do SBT. Ninguém investe 15 anos em um profissional para não colher frutos.

UOL - Por muito tempo algumas pessoas te rotularam como “substituto”, como você lidava com isso?
Celso Portiolli -Os comentários não incomodaram, mas sim a forma excessiva de como a mídia usou isso. Saía uma foto minha e a legenda era “substituto do Silvio Santos caminha”. Mudaram o meu nome e isso é chato. Essa história de substituição é inviável. O investimento que o SBT fez em mim é para que eu possa fazer um bom trabalho na emissora em qualquer dia e qualquer horário.

UOL - Você mudou sua maneira de apresentar e o jeito de se vestir para se desvencilhar do “título” de imitador do Silvio Santos?
Celso Portiolli -Quando eu apresentava o programa “Namoro na TV”, usava roupa esporte e ele [Silvio Santos] pediu para eu usar uma roupa mais séria. Como o “Domingo Legal” é um programa forte em merchandising uma roupa social passa mais credibilidade, mas como o programa começa às 10h, não estava dando certo a imagem com paletó. Isso começou a me incomodar e resolvi usar uma roupa mais solta. Fiquei mais à vontade, a apresentação ficou mais solta, a roupa às vezes engessa. Pelo o que vi no Twitter as pessoas estão gostando.

UOL - Você acha que o Silvio te trata de maneira diferenciada, em relação aos outros apresentadores? Por quê?
Celso Portiolli - Não. O Silvio [Santos] trata todos os artistas de maneira igual. As pessoas acham isso porque ele me deu uma oportunidade, mas isso não tem nada a ver...

UOL - Seu contrato será por tempo indeterminado, como tem acontecido com a maioria dos apresentadores da emissora?
Celso Portiolli - Não. Eles não oferecem 50 a 50 e eu não aceito contrato por tempo indeterminado, porque no primeiro arranca-rabo eu saio fora [risos]. Contrato de sociedade não é rentável, seria uma desvantagem para mim. Eu já tive todos os tipos de contratos com o SBT, renovei muitos com eles já.

UOL - O diretor Dirlan Jorge, que trabalhava com você, foi afastado do SBT e agora trabalha com Gugu (após uma auditoria constatar irregularidades no quadro "Construindo um Sonho”). Vocês ainda mantêm contato?
Celso Portiolli - O Dirlan pediu a auditoria, indicou fatos para investigarem e foi injustiçado. Eu não me meto em conta de programa, dinheiro, quanto gasta ou não. Fiquei chateado com as notícias que envolveram o nome dele [Dirlan] injustamente. Ele é meu amigo, isso foi muito chato.

UOL - Como é o Celso empresário? Você é dono de quantas emissoras de rádio?
Celso Portiolli - Entrada e saída. Tenho uma empresa que presta serviço para o SBT, na área de apresentação e, por enquanto, só duas rádios (ótima FM, no interior de São Paulo), pretendo ter quatro.

UOL - Quem é seu ídolo na TV. Por quê?
Celso Portiolli - O Silvio [Santos], pois é o profissional mais dedicado que eu conheço. Ninguém assiste as suas próprias gravações com tantos anos de carreira. Até hoje ele assiste e se corrige.
UOL - Você foi vereador com 24 anos em Maringá, como surgiu seu interesse pela carreira política?
Celso Portiolli - Fiquei famoso na cidade [Ponta Porã, Mato Grosso do Sul], era querido, fui convidado para me candidatar e fui o mais votado. Isso serviu para mostrar que eu não devo ser candidato nos próximos 13 anos. Era muito novo. Não tenho vontade e nem pretensão com a carreira política.

UOL - Como você vê o Brasil no cenário político atual?
Celso Portiolli - O país está bem. A população tem elogiado a Dilma e a postura que ela tem adotado com as trocas de ministros. O Brasil tem muito mudar ainda, principalmente alguns políticos, que não fazem nada.

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