sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

FINA ESTAMPA segue surreal e caricata

Nilson Xavier

Definitivamente Fina Estampa não é uma novela para ser levada a sério. Como já mencionei, esta é uma surreal obra de ficção, onde tudo pode acontecer, sem lógica ou razão, ao gosto e criatividade de seu autor. Não existe verossimilhança ou qualquer compromisso com a realidade.

No capítulo de quarta-feira (11/01/2012) vimos Tereza Cristina (Christiane Torloni) afirmar – sobre o atentado contra Amália (Sophie Charlotte) – que, ”assim como uma novela, é disso que o povo gosta!” Clara alusão de Aguinaldo Silva ao sucesso e à ótima audiência que Fina Estampa tem. Só mesmo uma novela bem escrita, com alguns bons atores e personagens, e que leva o nonsense às últimas consequências, poderia justificar tamanha repercussão. O povo gosta!

Tereza Cristina é uma vilã de desenho animado e tem em Christiane Torloni uma intérprete à altura, que leva a personagem num tom de caricatura totalmente cabível na proposta da trama. Fina Estampa é uma novela popular e caricata.

Na sequência do capítulo, a vilã-mor conversa sobre o seu plano diretamente com a câmera, dialogando com os telespectadores, numa intimidade e cumplicidade que o autor já tem com seu público. Tereza Cristina é a porta-voz de Aguinaldo. Por um momento pensei que ela fosse concluir sua frase com um sonoro FOM FOM – como o novelista costuma usar no Twitter.

Amália sofre um acidente – à primeira vista terrível – por causa de uma cobra dentro de seu carro. Como se não bastasse sair ilesa do sinistro, ainda descobre-se que ela está grávida. Ou seja, Tereza Cristina não tem sorte: quis matar a filha de sua inimiga bigoduda (Griselda de Lília Cabral) e o tiro – ou a cobra – saiu pela culatra – fez surgir mais um bigodudinho.

A novela está em sua reta final e segue seu curso tresloucado divertindo milhões de telespectadores todas as noites, com uma boa audiência. Bom para o público, entretido, melhor para a Globo e para o autor.

Resta saber se vai haver espaço para a proposta com a qual Aguinaldo vendeu Fina Estampa antes de sua estreia: a discussão sobre o ser e o parecer, a partir do momento em que Griselda ficasse rica – o que justificaria o título da novela. Se já teve, o público não percebeu. Fico me perguntando se uma novela tão caricata ainda tem espaço para este tipo de abordagem. Ou se o autor já se dá por satisfeito com a repercussão que ela tem. Até lá, dá-lhe surrealismo e FOM FOM.

3 comentários:

  1. Olha, eu achei perfeito isso que foi dito... E só posso acrescentar... Essa novela é uma agressão à inteligência do brasileiro. Se fosse das 19h, tudo bem... Mas sendo das 21h ela é muito caricata e chega a ser ridícula...

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  2. Bem observado,vilã de desenho animadokkkk...quem assistiu a favorita,insensato coração e ver esta novela ,como diria Zagalo:é estranho!mas é inegável q esta novela das nove com cara de novela das sete dá dando certo...então vamos em frente...kkkkk

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  3. Olha só, pensei que eu era o único a considerar esta novela caricata. Realmente, o povo gosta e muito. E não acho que uma novela tem que ser o retrato da realidade. Só acho ruim o Agnaldo, produzindo uma novela com tanto apelo popular, criticar tanto os seus colegas de profissão.
    Embora tenha estilos e linguagens distintas, o autor criticou a novela de Gilberto Braga, Insensato coração, e a construção dos personagens daquela novela. O enredo e atuação do Léo e da Norma, em Insensato Coração, foi bem mais interessante do que a atuação da Tereza Cristina, que pode ser considerada mais uma "megera clássica", igual a tantas outras que o Agnaldo já escreveu .Não estou observando a interpretação dos atores, mas a trama e o perfil dos personagens.
    Agnaldo Silva deveria, se não reconhecer, ao menos observar sua própria obra, já que inúmeras vezes criticou Insensato coração pelo Twitter; mas a vaidade lhe impede. Na ocasião, criticou o "quem matou Norma?" em Insensato Coração, e "quem matou Saulo" em Passione, e agora eu questiono "qual o segredo de Tereza cristina?" Do mesmo modo que ele acusou os autores que lhe antecedeu de criar estes mistérios para prender a audiência, vejo o autor fazer o mesmo em sua novela.
    Ele criticou diversos autores por "mais do mesmo". Pois é. Griselda me lembra muito Maria do Carmo em Senhora do destino. Já perdi a conta de quantos Gays caricatos vi nas tramas de Agnaldo, parece até sistema de cota; sempre tem um.
    Realmente a novela Fina Estampa tem audiência, apelo popular, o povo gosta; mas o autor deveria ser um pouco mais humilde ao alfinetar os colegas e ter um olhar mais critico sobre o trabalho que desempenha e constatar o que ele também faz.
    Agnaldo Silva escreve telenovelas impecavelmente, mas peca muito por arrogância e isto ofusca o seu reconhecimento quanto autor; afinal um pouquinho de humildade não faz mal a ninguém.

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