sábado, 14 de janeiro de 2012

Programa de Dercy não era "a cara do Brasil", mas de uma TV apelativa

Tratado brevemente no último capítulo da minissérie “Dercy de Verdade”, de Maria Adelaide Amaral, o afastamento de Dercy Gonçalves da Rede Globo, no início dos anos 70, é um episódio importante na história da emissora e, também, da televisão brasileira.

A pressão da ditadura militar sobre a Globo contribuiu para a saída de Dercy, em 1970, como mostra a minissérie. “Os militares não gostavam de mim”, diz ela. “Os militares estão putos com a emissora e querem a tua cabeça também”, diz Boni, em outra cena, quando a comunica que seu contrato não seria renovado.

Mas a Globo também tinha interesse em se livrar dela. “Meu programa dá 70 pontos de Ibope”, diz Dercy. “Nem se desse 100%”, responde Boni. “A Globo não vai mais investir neste tipo de programa” .

Um dos programas de Dercy na Globo, chamado “Dercy de Verdade” (como o título da minissérie), promovia assistencialismo, distribuía muletas e recebia curandeiros, irmãs xifópagas e pessoas com deformidades físicas. “Sabe por que ‘Dercy de Verdade’ incomoda tanto? Porque é a cara do Brasil”, ela diz na minissérie.

Na verdade, Dercy era a cara de uma televisão apelativa, popularesca, de baixa qualidade. Como mostra o livro “História da Televisão no Brasil: do início aos dias de hoje”, de Ana Paula Goulart Ribeiro, Igor Sacramento e Marco Roxo, a Globo aproveitou aquele momento, de pressão do governo e da imprensa, para se livrar também de outros nomes “antigos”, associados ao universo popularesco, que não combinavam com o seu projeto de modernização e integração nacional.

Em 1971, pressionada por causa de um episódio de baixaria exibido no programa do Chacrinha, a Globo se comprometeu a não explorar, “sob qualquer forma ou pretexto, a miséria, a desgraça, a degradação e a tragédia humanas”.

Na ocasião, Boni disse que o acordo com o governo, também assinado pela Tupi, tinha o objetivo de “eliminar os espetáculos de mau gosto”.

Além de Dercy, a Globo se livrou, também, de Chacrinha, Jacinto Figueira Junior (“O Homem do Sapato Branco”) e Raul Longras, entre outros nomes populares que ocupavam a programação da emissora.

Como mostra o livro, a história da TV no Brasil é uma história de ondas de sensacionalismo e apelação desde os anos 60. Só não houve baixaria na TV na sua primeira década, quando era um bem de consumo da elite. E, curiosamente, o conceito do que é “baixaria” mudou muito pouco nestes 50 anos.

Em tempo: O papel de Boni na minissérie “Dercy de Verdade” foi vivido por seu filho mais novo, Bruno Boni (foto ao lado). Ele tem 24 anos, é estudante e diz nao assistir televisão. É tão mau ator que cheguei a pensar, antes de saber do parentesco, que a sua escalação havia sido vingança de alguém contra Boni.

2 comentários:

  1. Eu adorei a serie dercy de verdade muito bom....

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  2. gostei muito do começo da serie mais o final decepcionou a globo incobriu algumas coisas como a ida de decy para o sbt ja no final de sua carreira e tambem na hora que estava sitando os nomes das pessoas que visitaram decy no hospital não falou o nome de sivio santos falou so silvio. como sempre a globo com sua manipulação escondendo ate fatos da historia.

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