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Silvio Santos usa "Chaves" para conseguir audiência e faturamento a 28 anos

Na segunda-feira, 23, fãs de “Chaves” invadiram as redes sociais com citações da “louca da escada”, “nova” personagem que apareceu no episódio exibido naquela tarde. Dona Edwiges chegou ao topo entre os assuntos mais comentados por brasileiros no Twitter, ajudando a reverberar o anúncio da reestreia de episódios “perdidos” da série na TV brasileira.

Por trás do marketing involuntário, esconde-se também a nova cartada do SBT para capitalizar seu produto mais bem-sucedido. Desde 2011, a emissora faz alarde sobre uma leva de episódios que deixaram de ser exibidos nos anos 90 por falta de qualidade técnica. Em comunicado enviado neste ano, anunciou-se que a recuperação das fitas originais recolocaria no ar 50 episódios que estavam engavetados.

Até agora, 24 deles foram exibidos, segundo a emissora. Uma identificação no canto da tela indica qual episódio faz parte do grupo dos recuperados. Nenhum tem roteiro inédito – o próprio episódio em que a “louca da escada” aparece é um remake do manjado capítulo em que seu Madruga herda um terno do tio Jacinto. Há, no entanto, alguns clássicos, como o “Espíritos Zombeteiros”. Por estratégia, o SBT não divulga quais são os episódios e quando serão exibidos.
SUCESSO/O fuzuê em torno dos episódios perdidos retomou uma discussão que vez ou outra volta à tona: como um seriado produzido há quase 40 anos ainda é capaz de despertar tanta comoção?

“Além de ser atemporal, é um tipo de humor que atinge todas as idades”, opina Luís Joly, autor do livro “Chaves – Foi Sem Querer Querendo” (Editora Matrix), que conta casos curiosos sobre a produção.

Uma das histórias registradas na obra é sobre a aquisição do “Chaves” pelo SBT, em 1981. Reza a lenda que Silvio Santos teria “esnobado” o humorístico incluído dentro de um pacote de novelas da rede mexicana Televisa. Assim, o programa só estrearia em 1984 – para nunca mais sair do ar. Já são 28 anos de exibição ininterruptos, o programa mais duradouro da emissora. Hoje, “Chaves” fica no ar 14 horas semanais. O custo é quase zero, ainda mais se considerado o resultado no Ibope. São seis pontos de média na exibição diária noturna, maior do que a audiência da novela “Amor e Revolução”, que custou R$ 3 milhões. Um verdadeiro negócio do México.

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