quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ousadia e audiência não combinam mesmo na televisão?

Esta é a pergunta que executivos da Record podem estar se fazendo na manhã desta quarta-feira ao analisarem os índices de audiência de “Máscaras”, a nova novela da emissora, que estreou na noite de terça-feira.

A trama de Lauro Cesar Muniz obteve média de 11 pontos no Ibope, o mesmo que sua antecessora, “Vidas em Jogos, e menos que as duas novelas anteriores do horário, “Ribeirão do Tempo” e “Poder Paralelo”, que marcaram 12 e 13 pontos respectivamente no primeiro dia de exibição. Esta última, vale dizer, assinada pelo mesmo autor de “Máscaras”.

Brinquei no Twitter, dizendo que bastou eu falar bem de uma novela da Record para ela ir mal no Ibope. Abaixo, reproduzo o texto que escrevi sobre a estreia, publicado no UOL Televisão pouco depois de o capítulo ser exibido:

 Ousada, “Máscaras” apresenta o drama de uma única personagem na estreia
Julgar uma novela de 250 capítulos pelos seus primeiros 50 minutos é uma tarefa difícil de ser executada sem cometer erros e injustiças. Parte da culpa é dos autores, cada vez mais preocupados em impressionar o telespectador do que em apresentar, propriamente, a novela na noite de estreia.
“Máscaras” não fugiu a este modelo. O primeiro capítulo não foi, nem de longe, uma vitrine do que vem por aí. Também não deu nem uma vaga ideia das possibilidades da trama.
Ainda assim, Lauro Cesar Muniz merece todos os elogios pela coragem de, basicamente, se debruçar sobre uma única personagem, fascinante e complexa, por toda a duração do capítulo inicial.

Linda, rica, casada com um fazendeiro, Maria (Miriam Freeland) sofre de depressão pós-parto. Alterna de forma incontrolável momentos de euforia e depressão, para desespero e incompreensão de seus familiares.
Tentou matar o bebê recém-nascido, passou uma temporada num cruzeiro em alto-mar e, de volta à fazenda, manifesta ojeriza ao ver o filho sendo cuidado por uma babá negra. Carinhosa, se transforma em bruxa ao dizer para o marido Otavio (Fernando Pavão) que quer morar em São Paulo e, à noite, desaparece no meio de uma tempestade.
Foi uma aposta ousada. Personagem estranha, a louca Maria tanto pode atrair quanto afugentar o público. Veremos o resultado nos próximos capítulos.

Notável, também, que o autor não tenha perdido a oportunidade de dar um tempero político à trama, ao apresentar brevemente dois personagens, o irmão de Maria, Martin (Heitor Martinez), e uma prostituta sem nome (Gisele Itié), que vivem nos Estados Unidos.
A cena se passa em 2010, depois da crise financeira desencadeada pela quebra do banco de investimento Lehman Brothers. “A América brochou”, diz Martin. “Os americanos não conseguem nem transar. Um banqueiro me pagou para ouvi-lo chorar”, conta a prostituta. “E depois pechinchou na hora de pagar”.
Antes, houve um rápido diálogo entre Maria e Martin sobre Lula, Dilma e situação político-econômica do Brasil. “Aqui não tem crise, não, mas tem corrupção”, disse ela.


 Diferentemente de outras novelas recentes da Record, “Máscaras” também sugeriu um avanço no quesito direção de atores. Ignácio Coqueiro conseguiu dar um ar natural e menos canhestro tanto a cenas mais complexas quanto às mais simples.
Lauro Cesar Muniz não escapou, porém, do que está se transformando num clichê das novelas da Record: as cenas de ação. O primeiro capítulo teve um sequestro de dois bebês, com direito a perseguição de caminhão por estrada de terra, tiros e terror. Um pouco demais.

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