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Deputado federal diz que tapa em Felipe Andreoli foi legítima defesa

Após dar um "tapa na cara" de Felipe Andreoli, repórter do "CQC", da Band, o deputado federal Márcio Reinaldo Moreira (PP- MG), afirmou que "programas humorísticos misturam, perigosamente, humor e realidade", em nota enviada à imprensa na última quarta-feira (9). Moreira também assumiu a agressão e disse que apenas se defendeu, já que Andreoli ofendeu sua honra. "Infelizmente minha reação foi instintiva."
Felipe Andreoli foi agredido, na noite da última terça-feira (8), durante uma entrevista em Brasília. Segundo a assessoria de imprensa do político, o jornalista questionou "se os parlamentares não recebem muito para não fazerem nada e ficarem na cama dormindo o dia inteiro".
O funcionário da Band registrou um boletim de ocorrência sobre o caso e divulgou o documento nas redes sociais. "Hoje, na Câmara dos Deputados, graças ao nobre deputado Márcio Reinaldo Moreira, descobri o significado de 'um tapa na cara da sociedade'..."

Leia abaixo a íntegra do texto do deputado:

Liberdade, sim, mas com respeito.

Os recentes programas humorísticos lançados pelas redes de TV misturam, perigosamente, humor e realidade. Confundem as cabeças das pessoas e colocam em cheque o autêntico jornalismo brasileiro.

A confusão se estabeleceu. Humor e jornalismo? O deboche ou a análise séria dos fatos?
Essa mistura é perigosa. A fórmula para se atingir o humor em um ambiente sério é extremamente delicada e se rompe facilmente, na medida em que o humorista precisa provocar, instigar, ofender e até rebaixar pessoas, para que os telespectadores possam se divertir.
Na noite de terça-feira (8) fui abordado pelo jornalista Felipe Andreolli e a equipe do "CQC" sobre a votação da PEC do Trabalho Escravo. Ciente de se tratar de uma equipe do programa humorístico sinalizei em negativa a entrevista. Contudo, face à insistência respondi ao questionamento. Ocorre que, como é de praxe do programa, o jornalista do "CQC" de forma provocativa e desrespeitosa se manifestou ofendendo minha honra, dignidade e toda a instituição do Parlamento. Infelizmente, minha reação foi instintiva.
Defendo a liberdade de imprensa. Seu trabalho livre e responsável, mesmo quando criticado. Lamentavelmente, a reação impulsiva, incompatível com minha personalidade, não justifica as agressões verbais sofridas.
Existe aquela máxima que diz que uma liberdade termina exatamente aonde começa a do outro. É aí que o programa humorístico extrapola as suas prerrogativas. É preciso respeitar o caráter, os princípios e a honra das pessoas e, até mesmo para questioná-las, é necessário saber fazê-lo.
Apesar do ocorrido, reitero meu compromisso com a liberdade de imprensa, que é imprescindível para o fortalecimento da democracia.

Acredito na imprensa livre, ativa, crítica, combativa, mas séria e responsável.

Da mesma forma e com o mesmo empenho, defendo que todos os cidadãos brasileiros precisam ter garantidos o respeito ao seu caráter e à sua honra.

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